Responsáveis por 70% da polinização agrícola no Brasil, as abelhas são fundamentais para a segurança alimentar e o equilíbrio dos ecossistemas
(Imagem/Divulgação: USP)

Pense em um animal cuja existência sustenta boa parte do que está no seu prato. Provavelmente, as abelhas não são a primeira resposta que vem à mente. No entanto, deveriam ser.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Esses insetos são responsáveis por 70% da polinização das plantas agrícolas no Brasil, segundo a ONU. Além disso, atuam diretamente na regeneração de florestas, na manutenção da biodiversidade e na qualidade nutricional dos alimentos que consumimos diariamente. Portanto, proteger as abelhas é, antes de tudo, proteger a nossa própria alimentação.

Sem abelhas, sem comida: os números que impressionam

A dependência da agricultura em relação às abelhas é maior do que a maioria das pessoas imagina. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, 70% das culturas agrícolas globais dependem diretamente da polinização realizada por esses insetos.

Os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reforçam essa realidade. Segundo o levantamento, 100% das amêndoas dependem das abelhas para se desenvolver. O mesmo vale para 90% das maçãs e mirtilos, 48% dos pêssegos, 27% das laranjas, 16% do algodão e 5% da soja.

Ou seja: sem abelhas, a produção agrícola mundial entraria em colapso.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Muito mais que mel: a diversidade que poucos conhecem

Um erro comum é associar as abelhas apenas à produção de mel e às picadas. Na prática, porém, a grande maioria das espécies não produz mel e tampouco possui ferrão.

No mundo, existem mais de 20 mil espécies de abelhas, com diferentes tamanhos, cores e hábitos. Na América Latina, as nativas são as meliponas, conhecidas como abelhas sem ferrão, que representam a maioria das mais de quatro mil espécies da região.

“Uma parcela significativa da população relaciona as abelhas apenas ao mel e às picadas, o que seria um erro, já que a maioria das nossas abelhas não possui ferrão”, explica o diretor da ONG Bee or not to Be.

(Imagem: Divulgação)

 

Além disso, a maior parte das abelhas é solitária e não vive em sociedade. Ainda assim, todas atuam como polinizadoras essenciais para os ecossistemas.

Passaporte Equestre, novos mercados e capacitação: as prioridades do setor equestre em 2026

A polinização: o trabalho invisível que sustenta a vida

O papel das abelhas acontece, em grande parte, nos bastidores do meio ambiente. Para suprir sua necessidade alimentar, esses insetos visitam uma grande variedade de flores, coletando pólen, sua fonte de proteína, e néctar, fonte de carboidratos.

Esse movimento, aparentemente simples, tem consequências profundas. Ao transportar o pólen de flor em flor, as abelhas permitem a fertilização das plantas e garantem sua reprodução. Em algumas espécies, esse processo é indispensável para a sobrevivência. Em outras, especialmente nas frutíferas, a polinização influencia diretamente a qualidade nutricional dos frutos.

“Este serviço de polinização permite a fertilização das plantas e sua reprodução. Em espécies frutíferas, a polinização também está ligada à qualidade nutricional da fruta”, afirma Marina Arbetman, exploradora da National Geographic e doutora em biologia.

Segundo a FAO, cerca de 85% das plantas com flores presentes em matas e florestas dependeram, em algum momento, da ação de polinizadores como as abelhas.

Guardiãs do equilíbrio ambiental

Além da polinização, as abelhas desempenham outro papel fundamental: o de bioindicadoras da qualidade do meio ambiente. Sua presença (ou ausência) em um ecossistema revela muito sobre o estado de conservação daquele território.

“As abelhas garantem a variação genética tão importante ao desenvolvimento e reprodução das plantas e, com isso, garantem o equilíbrio dos ecossistemas e que existam plantas suficientes para a produção de oxigênio”, explica Ana Bueno, bióloga da ONG Bee or not to Be.

Portanto, preservar as abelhas não é apenas uma questão ambiental. É, sobretudo, uma questão de segurança alimentar, saúde dos ecossistemas e futuro do planeta.