Exonerado para voltar ao Senado, Carlos Fávaro deixa o Mapa em momento sensível, com crédito rural, seguro agrícola e comando da Conab em jogo
(Imagem: Divulgação)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou Carlos Fávaro do Ministério da Agricultura e Pecuária na última sexta-feira, 27 de março. A saída, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, acontece em um momento sensível para o setor produtivo e, portanto, coloca o agronegócio diante de um período de incerteza institucional.

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A exoneração de Fávaro tem motivação política direta. O ex-ministro retorna ao Senado Federal para participar da votação do relatório final da CPMI do INSS, comissão que recomenda o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.

Com a volta de Fávaro ao Senado, sua suplente, Margareth Buzetti, alinhada à oposição, perde a vaga na comissão. Em seguida, o primeiro suplente, Beto Faro, do PT, assume o lugar. Dessa forma, o movimento busca garantir ao governo votos suficientes para rejeitar o relatório, que precisava ser votado até ontem, sábado, 28 de março, prazo limite de funcionamento da CPMI após o STF negar a prorrogação dos trabalhos.

Além disso, Fávaro ainda tem agenda no Ministério na próxima terça-feira, 31 de março, quando deve se despedir formalmente da pasta.

O impacto direto no agronegócio

A troca no comando do Ministério da Agricultura ocorre em um momento delicado. O setor enfrenta juros ainda elevados, pressão sobre custos de produção e necessidade de previsibilidade em políticas estratégicas como crédito rural, seguro agrícola e apoio à comercialização.

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Para produtores e entidades do setor, mudanças no comando do Mapa fora do ciclo tradicional de transição de governo tendem a gerar cautela. Afinal, decisões sobre financiamento de safra, programas de seguro e abertura de mercados dependem de continuidade técnica e orçamentária. Mudanças abruptas, portanto, podem atrasar decisões e aumentar o risco no campo.

Paralelamente, a Conab também passa por troca de comando. Sílvio Porto assume a presidência no lugar de Edegar Pretto, que deixa o cargo para disputar o governo do Rio Grande do Sul. A estatal é peça estratégica para o agronegócio, pois é responsável por levantamentos de safra, controle de estoques e execução de políticas de abastecimento que influenciam diretamente a formação de preços.

Quem assume o Ministério da Agricultura?

Nos bastidores, o PSD, partido de Fávaro liderado por Gilberto Kassab, atua para manter o controle da pasta. Por ora, o nome mais cotado é o do atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, visto como alternativa para garantir a continuidade da legenda em uma das pastas mais relevantes para a economia brasileira.

A eventual troca, contudo, acontece em meio a uma relação ainda irregular entre o ministério e parte do setor produtivo. Ao longo da gestão, Fávaro enfrentou resistência de segmentos do agro, especialmente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que cobrou maior alinhamento em pautas como política agrícola, defesa sanitária e abertura de mercados.

Um momento de transição que o agro acompanha de perto

A saída de Fávaro inaugura uma nova rodada de rearranjos políticos no governo. À medida que outros ministros deixam seus cargos para disputar as eleições, a “dança das cadeiras” na Esplanada tende a se intensificar nos próximos meses.

Para o agronegócio, esse movimento ocorre em um cenário de margens mais apertadas e maior exposição a variáveis externas. Sendo assim, mais do que nomes, o que está em jogo é a condução da política agrícola em um momento de maior risco. E isso, o produtor rural acompanha com atenção redobrada.