O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) avança na modernização da pecuária estadual por meio do projeto ATeG Inseminação, iniciativa gratuita que combina melhoramento genético, assistência técnica e gestão rural para elevar a produtividade nas propriedades. Desde o início da execução, em dezembro de 2024, o programa já atendeu 1.513 propriedades em 99 municípios de Mato Grosso.
O projeto oferece suporte completo ao produtor, da aquisição do sêmen aos protocolos de inseminação e mão de obra especializada. Para a pecuária de corte, as raças disponíveis são Nelore, Nelore Mocho e Angus. Já para a cadeia leiteira, o programa contempla Girolando (3/4 e 5/8), Gir e Sindi. A iniciativa é realizada em parceria com os Sindicatos Rurais do estado.
Como funciona na prática
A metodologia divide a atuação em duas frentes complementares. Primeiro, o técnico de campo realiza o diagnóstico da propriedade, o acompanhamento gerencial e o preparo das condições necessárias. Só então o médico-veterinário executa o protocolo de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), garantindo maior eficiência reprodutiva ao rebanho.
“A inseminação é uma ferramenta importante, mas o resultado vem da soma das ações, com o técnico de campo atuando na organização, gestão e preparo da propriedade, e o técnico em reprodução na execução do protocolo”, explica a supervisora do projeto, Jéssica Gonçalves.
Superação e resultados no campo
Na Fazenda Água Boa, em Brasnorte, a produtora Claudete Grimm Denadai representa tanto o impacto da iniciativa quanto a força do produtor rural. Após perder o marido, ela assumiu sozinha a gestão da propriedade e, por isso, buscou apoio da ATeG para reorganizar o sistema produtivo. Com isso, adotou novas práticas de manejo, nutrição e planejamento e logo colheu resultados concretos.
“De 63 animais, 38 deram positivo. Teve bastante animal jovem que também emprenhou. A diferença dos bezerros da inseminação para os de touro é muito grande: mais resistência, mais peso, carcaça melhor. A qualidade é outra”, relata Claudete.
Além dos índices reprodutivos, o acompanhamento da técnica de campo Ingrid dos Santos Costa trouxe novas estratégias de comercialização. “Ela me orientou como engordar as fêmeas e vender os machos. Assim, isso virou uma alternativa para manter a fazenda viável o ano todo”, acrescenta a produtora.
Tecnologia acessível e gestão integrada
Para o técnico em reprodução Jeferson Polidoro Murussi, o diferencial do projeto está no acesso. “A inseminação não é novidade: ela já provou que funciona. Portanto, o que o projeto faz é facilitar o acesso, com material de qualidade e suporte técnico. Além disso, o produtor aumenta o valor de venda e ganha eficiência”, afirma.
Da mesma forma, o gerente da ATeG, Bruno Faria, reforça o caráter estratégico da iniciativa. “Quando aliamos técnica, acompanhamento contínuo e gestão, o produtor passa a ter mais controle da atividade e evolui de forma consistente. Por isso, mais do que aumentar a produção, nosso objetivo é melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias no campo”, destaca.
Números e reconhecimento nacional
Até março de 2026, o ATeG Inseminação registrou 32.021 protocolos executados, 53.131 diagnósticos de gestação e taxa média de prenhez de 44,37%, índice que comprova a efetividade da técnica quando associada a um sistema produtivo organizado. Diante desses resultados, o projeto segue na terceira rodada de execução, com novas etapas previstas para ampliar ainda mais o alcance.
Além do desempenho produtivo, os números trouxeram reconhecimento nacional: o Senar MT saltou da 26ª para a 6ª colocação no ranking do Prêmio Coordenador de Excelência 2026, anunciado durante o Encontro Nacional de Coordenadores da ATeG, realizado na sede da CNA, em Brasília, em março.