Das imagens bíblicas evocadas na Semana Santa à mitologia e à história, poucas árvores ocupam um espaço tão simbólico e importante quanto a oliveira
Por Eric Nagle - https://www.reddit.com/r/europe/comments/8dlgei/this_olive_tree_in_crete_is_3000_years_old/, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=68441386

Seu nome científico Olea europaea já sugere a utilidade e a origem. Ao longo dos séculos, essa árvore ocupou lugar especial em diferentes culturas ao fornecer madeira forte, azeitonas e óleo para o alimento, bem como o azeite que iluminava as noites do Oriente Médio até Roma. Além disso, seus frutos também eram úteis para remédio (unguentos) e símbolo de poder, como na unção dos reis.

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Apesar da importância simbólica, o cultivo da oliveira é relativamente simples. Ela exige pouca umidade (rega de duas a três vezes por semana) e bastante luz. Enraizada, a árvore ganha autonomia e longevidade, adquirindo formas particulares no entroncamento, o que faz de cada exemplar uma personalidade única.

No Brasil, embora o cultivo seja ainda recente, segundo a EMBRAPA, vale lembrar a qualidade dos azeites já reconhecidos em competições internacionais.

Na Grécia, a Oliveira eterna.

Com esse perfil resistente, valioso e utilitário, ainda é possível encontrar Oliveiras centenárias em países do Mediterrâneo e do Oriente Médio. Em Abrantes, Portugal, a Oliveira de Mouchão é histórica; na região de Gallura, na Sardenha (Itália), é possível encontrar outra, apelidada de “Matriarca da Natureza”, com quase 14 metros de altura.  Protegidas por leis nacionais, esses monumentos naturais têm mais de 2 mil anos e são  importantes pontos turísticos.

O recorde de longevidade, contudo, pertence à Oliveira de Vouves, na ilha de Creta, na Grécia. Enquanto alguns estimam sua idade entre 3 e 4 mil anos, outros  chegam a acreditar que ela já tenha 5 mil anos. O fato é que essa árvore impressionante tem cerca de 12 metros de altura, e, mesmo com o tronco já oco, ainda produz azeitonas valorizadas por especialistas. Tão simbólica, a árvore éprotegida por leis gregas e chegou a fornecer ramos para a confecção das coroas dos atletas dos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas.

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Resistente, adaptável e com mil utilidades, a oliveira e seu fruto são, e sempre foram, símbolos grandiosos da humanidade e da cultura. O leitor, caso concorde com essa ideia, não está sozinho nas companhias longevas e respeitáveis.

“Doce, prateada ama de leite, nascida sozinha e imortal, cuja força desafia jovens e idosos”, escreveu o poeta grego Sófocles. “E Jesus saiu, então, e foi, como decostume, para o monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele…” é a narrativa que muitos ouvirão nesta Semana Santa.